Brasil

Abertura da UMa aos países de língua portuguesa: O caso da Inovação Pedagógica no Brasil.

É preciso sentir o “clima”!

Jesus Maria Sousa

Com cinco deslocações realizadas em apenas um ano, esta ideia ficou ainda mais clara na minha última viagem ao Brasil, mais concretamente aquando do percurso entre Ilhéus e Ibicaraí, uma das cidades onde a UMa tem trabalhado. Nasceu, de facto, esta ideia à medida que ia penetrando no país profundo, às primeiras horas da manhã, passando por Itabuna e Itapé, sempre ao longo do Rio Cachoeira, onde garças elegantes se punham de atalaia à espera do peixe mais canastrão.

Sentada no banco de trás de um Fiat Mille (Uno), meio desconjuntado e sem ar condicionado, com o computador portátil perto de mim, era fácil deixar-me envolver pelo bafo quente e húmido do sertão, ao mesmo tempo que me extasiava perante uma densa vegetação virgem e luxuriante, de quando em quando perpassada por gado a pastar ou a ser indolentemente conduzido por vaqueiros, ao som do aboio (toada/melodia lenta, adaptada à marcha dos bois), enquanto urubus agoireiros, enfileiradamente especados em fios de iluminação, aguardavam pacientemente por carcaças junto de matadouros, nos arredores.

À aproximação de pequenas localidades, ladeavam a estrada habitações periclitantes dos sem-terra, cobertas de plástico, quase a par e passo de fazendas imponentes, a perder de vista, dos “senhores do gado”. Com a economia voltada, outrora, para o cacau, como atestam as fábricas de Ilhéus e as histórias de coronéis que ainda enchem o nosso imaginário, a partir de Jorge Amado, a doença da “vassourinha de bruxa” acabou por dizimar esta fonte de riqueza da região. Mas hoje, como dantes, continuam a ser gritantes, a olhos nus, as desigualdades sociais desta gente que não deixa, no entanto, de sorrir e de sambar, de tomar o seu “chopp” e de contar anedotas de portugueses.

O regresso de Ibicaraí a Ilhéus, ao fim do dia, tornava tudo ainda mais fantástico: o prazer arrepiante de se sentir só com a natureza, ainda mais cerrada pela escuridão. Estaria eu em África? Que apelo tão forte era esse que fazia em mim brotar uma confusão de sensações, gostos e cheiros, hermeticamente fechados e deixados lá para trás? O que me fazia correr por essas paragens distantes e ao mesmo tempo tão próximas?

O que está a Universidade da Madeira a fazer no Brasil?

(Continuação…)

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